Poema da praça

Uma praça que nela estão
Brancos papéis espalhados no chão
Abaixo do lixo e o saco preto, pão
Ao lado do banco e o vazio são
Lustres bonitos com luzes acesas
Sem graça nenhuma.

Uma praça qualquer uma
Com só trinta e seis
Imóveis em seu transtorno.
Mendigos nem transam
E vejo um casal que fuma
A falar coisas que são Reis.

Uma praça de árvores secas
Que se cruzam estreitas
Só uma palmeira sem sabiás
Que ficou nua com o vento
Mais rápido que o tempo
Levou sua roupa pros aventais.

Uma praça que agora tem gente
Embora antes não tinha
E no olho da minha janela
Vejo ela e nenhuma harmonia
Se seu nome não fosse alegria
Eu nem teria lhe dado bom dia.

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"Na criação do cartaz busquei, em primeiro lugar, compreender todas as regras existentes no guia de identidade visual e respeitá-las completamente para deixar o diálogo fluido entre a coleção de cartazes feitos. Esse espaço de criação de cartazes abre a múltipla interpretação do mesmo e, em cada um, deriva-se um propósito. Dessa forma, das condições criadas, a inspiração principal para a criação do cartaz foi o texto referente à expressão ‘iminência das poéticas’. Busquei na questão da suspensão e interrupção do discurso, alterar e deformar a leitura instantânea da identificação verbal do evento e rever a função da legibilidade em uma peça de comunicação. As comunicações são paisagens efêmeras atravessadas pelo olhar das pessoas diariamente. Provocando a ‘ilegibilidade’ para o espectador, o cartaz tenta forçar uma pausa para o desconhecido e deseja aguçar a voz do olhar de quem vê. O espectador só poderá ler a identificação verbal do cartaz se estiver dedicado a estabelecer uma relação com o seu olhar, fora isso será mais uma paisagem efêmera que passará despercebida.  Como o repertório tipográfico da identidade é representado por todas as fontes monoespacejadas existentes, criei um tipo chamado ‘como-ver’, para que, no reverso da orientação do texto, ao invés da direita pra esquerda e de cima pra baixo, da esquerda pra direita e de baixo pra cima as letras pudessem originar outras letras na mudança da sua orientação e posição, combinando “novas palavras” nas diferentes direções.” Baixe este cartaz em alta resolução aqui: http://bit.ly/JrXjCn



A 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas será celebrada com trinta cartazes elaborados por trinta diferentes autores. A iniciativa inédita é desdobramento do processo de definição da identidade visual da mostra, que, pela primeira vez em seus sessenta anos de existência, foi desenvolvida em um workshop aberto à participação do público no final de 2011.Confira documentário sobre a iniciativa está disponível no site www.id30bienal.org.br.

 Conheça todos os outros cartazes aqui: http://www.id30bienal.org.br/See More

"Na criação do cartaz busquei, em primeiro lugar, compreender todas as regras existentes no guia de identidade visual e respeitá-las completamente para deixar o diálogo fluido entre a coleção de cartazes feitos. Esse espaço de criação de cartazes abre a múltipla interpretação do mesmo e, em cada um, deriva-se um propósito. Dessa forma, das condições criadas, a inspiração principal para a criação do cartaz foi o texto referente à expressão ‘iminência das poéticas’.

Busquei na questão da suspensão e interrupção do discurso, alterar e deformar a leitura instantânea da identificação verbal do evento e rever a função da legibilidade em uma peça de comunicação. As comunicações são paisagens efêmeras atravessadas pelo olhar das pessoas diariamente. Provocando a ‘ilegibilidade’ para o espectador, o cartaz tenta forçar uma pausa para o desconhecido e deseja aguçar a voz do olhar de quem vê. O espectador só poderá ler a identificação verbal do cartaz se estiver dedicado a estabelecer uma relação com o seu olhar, fora isso será mais uma paisagem efêmera que passará despercebida.

Como o repertório tipográfico da identidade é representado por todas as fontes monoespacejadas existentes, criei um tipo chamado ‘como-ver’, para que, no reverso da orientação do texto, ao invés da direita pra esquerda e de cima pra baixo, da esquerda pra direita e de baixo pra cima as letras pudessem originar outras letras na mudança da sua orientação e posição, combinando “novas palavras” nas diferentes direções.”


Baixe este cartaz em alta resolução aqui: http://bit.ly/JrXjCn


A 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas será celebrada com trinta cartazes elaborados por trinta diferentes autores. A iniciativa inédita é desdobramento do processo de definição da identidade visual da mostra, que, pela primeira vez em seus sessenta anos de existência, foi desenvolvida em um workshop aberto à participação do público no final de 2011.Confira documentário sobre a iniciativa está disponível no site www.id30bienal.org.br.


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o nome dela

ela está de azul
mas o que a faz
me sentir tão blue
é sê-la belle de jour?

francesa como fuma
não é ninguém
sem certeza nenhuma
de onde ela vem
sua beleza alguma
me deixa o além

bom não sei meu bem
essa cor é de outrem?
não, é sua e nua.

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Fernando falando de novo…

O perfeito
entre o defeito
é suspeito

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O que é a espontaneidade?

Essa pergunta fez um eco na minha cabeça. O que é a espontaneidade?  Em um mundo onde tudo tenta ser espontâneo, parece que a espontaneidade é provida de verdade e que o resto é um grande teatro, novela, filme. Nos moldamos a tantos modos de ser (modos que são impostos pelas mais diversas instituições de forma atemporal: igreja, estado, mídias, facesbooks e hoje tudo isso dentro de cada um de nós) que quando encontramos a espontaneidade, encontramos algo que está imprevisto, o texto fora do papel já designado para nós mesmos. Vivemos hoje a busca espontânea, porém nossa neurose contemporânea atua na próprio planejamento da espontaneidade, e por isso é necessário o  questionamento dos sentidos desta palavra. Talvez o sentimento mais reprimido ou desejado do nosso tempo seja este. E me parece também que todos entendem, ou o senso comum, que espontaneidade é a qualidade daquilo que acontece no sujeito e está intrinsecamente ligado a sua essência. Algo que só pode ser produzido por aquela identidade singular, a configuração ímpar da personalidade que afirma um modo de ser original, autêntico, próprio. Talvez a única coisa que não pasteuriza o sujeito dentro da sociedade, aquilo que tem uma certa poesia. Uma ideia saborosa para a vivência nos grandes centros, em que existir fora das estatísticas é um esforço enorme na tentativa de nos humanizar em torno de tantos bancos de dados que nos definem a partir de tantas caixas classificadoras.
 
Para não dizer que sou apenas um guiado pela intuição, busquei o significado da palavra em questão no dicionário e encontrei as seguintes definições:
 
1. Qualidade daquilo que é espontâneo.
2. Facilidade com que alguma coisa se produz.
3. Aquiescência, condescendência natural.
4. Naturalidade, singeleza.
5. Que se pratica de livre vontade, voluntário.
6. Que ocorre sem causa exterior aparente.
7. Sem artifício, natural.
8. Diz-se do vegetal próprio da flora dum país, ali surgindo e desenvolvendo-se sem a intervenção do homem.
9. Diz-se dos organismos que se desenvolvem numa região sem intervenção do homem.
10. Que se desenvolveu sem cultura.
 
Queria buscar o entendimento da etimologia da palavra, porém não posso por agora, e terminar o texto é mais importante. Muitas coisas já podem ser pensadas através dos significados descritos pois é necessário alguma base teórica para este pensamento, não que ela não exista em outros termos, com certeza aqui se concentram parte dos conhecimentos que aprendi e apreendi durante o percurso espontâneo da vida (não que a espontaneidade seja uma prática, a vida por si só é espontânea). Quando leio naturalidade, que se pratica de livre vontade, e que é voluntário,  que se desenvolve sem a intervenção do homem, sem cultura, percebo que a espontaneidade é uma expressão animal do homem, e esse lado que é animal soa esquecido. O tempo todo castramos a nossa espontaneidade, ou como Clarice Lispector diz, “só não quero ter minha ingenuidade pisoteada”. E posso supor que o conceito de espontaneidade é sim algo completamente oposto da ideia que nos parece convencional. É quando abandonamos nossas identidades, máscaras, neuroses e todas as formas de território que concebemos para nós próprios, como uma possível essência ou personalidade.  É a expressão que nos assegura que estamos vivos e não somos apenas marionetes dentro das cidades. É aquilo que transforma o indivíduo em sujeito, dono de suas próprias rédeas.
 
Este texto é um resultado da vivência e observação de uma vida urbana e neste contexto, a espontaneidade é a última tentativa da expressão e do gesto do homem (e não da máquina) como forma de resistência da sua liberdade. O ser espontâneo pode viver a luz do erro sem nenhuma culpa, ele está para além do bem e do mal, já que o humano não. A espontaneidade é o relato daquilo que insiste ainda em nós. Mais que humanizar, a espontaneidade nos animaliza, ela busca um encontro do corpo, mente e alma. É o instinto de bicho tomando conta do nosso corpo, largando todos os medos impostos, e nem o medo da morte pode ser maior do que nós pois nos tornamos ancestrais. Penso que é algo fora do “eu” que acontece quando o animal humano diz: desisto daquilo que existo, para deixar aquilo que deseja, seja o universo.
 
Acrescento também: espontaneidade é um dos exercícios telepáticos.

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haicai do error

Era um amor
Eram dois amores
Erram o amor.

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Fernando falando:

Eu até conheço mulher pelo dito
Só não consigo colocar no escrito
Quando fico apaixonado
Cometo tanto pecado
Mas como é fato raro
Deixo tudo isso de lado

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Olhou daquela vez como se fosse a última - Catalina TorresSantiago del ChileJulho de 2011Negativo en color

Olhou daquela vez como se fosse a última - Catalina Torres
Santiago del Chile
Julho de 2011
Negativo en color

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O céu da rua ou a rua do céu.Buenos AiresJulho de 2011Negativo en blanco y negro

O céu da rua ou a rua do céu.
Buenos Aires
Julho de 2011
Negativo en blanco y negro

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Ela passou.Buenos AiresJulho de 2011Negativo en blanco y negro

Ela passou.
Buenos Aires
Julho de 2011
Negativo en blanco y negro

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cor de sangue

sapatos cor de sangue
andando pela sala
era uma meia-calça preta
um vestido preto
um sobretudo preto
e, sobretudo, cada passo
era um tiro.

pow               pow                  pow
          pow                 pow  

- qual crime você vai cometer hoje?
e ela respondeu:
- nenhum.

não me convenceu mas calei
com o medo da minha morte
e o azar da sua sorte.

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Maria Cecília NigriSantiago del Chile17 de Julho de 2011Negativo en blanco y negro

Maria Cecília Nigri
Santiago del Chile
17 de Julho de 2011
Negativo en blanco y negro

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você respondeu minha pergunta

o acaso bóia
a razão nada
o desejo mergulha

para atravessar o rio
é preciso dos três.

mergulhar mata o medo
nadar chega nas bordas
boiar é ser rio também

atravessar o rio
não é chegar do outro lado

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O espelho é para refletir.

O espelho é para refletir.

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